Eu quero tudo um pouco mais vermelho e intenso, mas não queria que o sofrimento fosse intenso também. Perder, todos perdem. Perder pessoas, acontece - por increça que parível. Racionalizar isso é fácil, mas sentir é cair num abismo.
Sentir que perdi alguém... ou que estou prestes a perder. Descansa, então.
Às vezes eu odeio as palavras e como elas tornam tudo mais frio e normal do que realmente é.
27/11/2009
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enailuj
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29/09/2009
Murder Ballads
Acordes densos preenchiam o quase-vazio da sala em que se encontrava M. Devia ser algum Brahms, interpretado por algum pianista muito triste e encouraçado que havia gravado todas as baladas e sonatas brahmáticas, e possivelmente não tinha uma amante ou filhos ou família, ou poucos pouquíssimos amigos. M. identificava-se com esses tipos solitários, sempre reclusos em algum mundo onde havia uma válvula de escape artística. Acredita-se que nos sentimos atraídos por pessoas que apresentam defeitos muito semelhantes aos nossos, pois, conscientemente ou não, identificamos nossos defeitos e nos projetamos nos outros, sempre em algum grau de comparação, positivo ou negativo. Ele, M., gostava de admirar as pessoas de longe. Normalmente M. fixava-se por algum artista estrangeiro que já estivesse morto, ou fosse de algum modo muito inalcançável. Essa fixação acontecia em ciclos, períodos em que M. já não aguentava mais de si e havia de dar-se aos outros, completar-se, ou nutrir suas falhas. Esse alvo de fixação, geralmente algum músico ou escritor, era escolhido como que instintivamente para que não pudesse de modo algum descer de seu pedestal e entregar-se à realidade, para que não pudesse deixar de ser idealizado, pois assim sendo, M. marcaria um encontro consigo próprio. E uma das coisas que mais tememos é ver-nos como verdade nua e crua diante de nós. Humanamente fracos, debilitados, tensos. Normais, dir-se-ia.
"Edward, sua espada está suja de sangue."
O Brahms insistia mortalmente no aparelho de som, formando uma linha melódica sombria. Era algo pesado, como uma voz familiar e bela dando alguma notícia terrível. M. sentia cada sensação de temor e pesadelo, tristeza e luto, juntando pedaços dentro de si; tentava reconstruir alguém que já foi de enorme vitalidade e saúde, e agora temia pelo completo abandono de seu corpo. Sua alma dialogava e pulsava, enérgica, seu diálogo interior era incessante, sua cabeça não respeitava o corpo que a continha, roubando cada vez mais energia dele, servindo-se de sua passividade para alimentar pensamentos que pareciam não acabar jamais.
"Edward..." e segue triste a balada do assassino. Assassino de corpo, alma sedenta de vida, corpo fatigado e dormente. Cada peça era uma peça do corpo, desfragmentado, estásico; cada acorde fortíssimo no piano era raiva e frustração, era ao mesmo tempo uma tentativa de viver. M. se deixava levar, e ao fim do Opus 10, estava exausto. Suava frio. Suas mãos estavam geladas, não respondiam a vontade nenhuma de seu corpo. Seu corpo, enfim, não tinha vontade alguma, simplesmente não queria. Tudo era mente, alma e instintos que o corpo não suportava, era apenas uma estrutura física inanimada agora, embora precisasse fazer o grande esforço de ir até o rádio e trocar o CD, pois agora queria ouvir Bach. Genial e simples, no entanto. Bach.
(Continua)
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enailuj
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14/09/2009
Where the wild roses grow
"When he knocked on my door and entered the room
My trembling subsided in his sure embrace
He would be my first man, and with a careful hand
He wiped the tears that ran down my face"
Eu não sabia, mesmo que meu corpo já soubesse, eu não queria acreditar. Mesmo que depois houvessem outros, sempre haveria de ser ele, sempre - eu só não queria acreditar.
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enailuj
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14/08/2009
Caio F. diz a terapia que preciso
"- Fala grosso, veado!
E a terapia que ele imaginava para Ana C. ia mais ou menos nessa linha: '... somos mais por uma terapia bageense, tipo te fresqueia, prenda, come uma costela gorda, toma uns mates, dança uma chula, uma tirana do lenço, te joga nua no açude na hora da sesta. Porque tá uma crise sensível demais, dá pra entender? Recomendei uma brahma na esquina com uma coxinha e um dreher pra rebater. Something like that.' A terapia Fala Grosso Veado. Se ele a usava para sair de suas próprias depressões, é algo a se conjecturar, mas é bem possível; como os amigos sabiam, por mais natural e integral e macrobiótico que Caio pudesse ser, ele adorava um bom churrasco. Se houvesse um whisky pracompletar, melhor ainda."
(Jeanne Callegari)
*
nenhuma depressão resiste. Fala Grosso, Veado!
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enailuj
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Marcadores: caio f.
04/08/2009
Despair and Deception, Love's ugly little twins
Came a-knocking on my door, I let them in
Darling, you're the punishment for all of my former sins
I let love in
I let love in
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13/07/2009
não sou o protótipo de bonequinha operária que funciona no palco. e se as bonequinhas funcionam tão bem, para que estou no meio delas? quero ser igual a elas? princesinhas perfeitas, cativantes e com voz de ouro?
é, eu sei que sou uma esquisita, mas no palco os esquisitos também têm vez. só que comigo, o buraco é bem mais embaixo. tenho medo da liberdade, desses cinco minutos de palco em que posso ser quem eu quiser, fazer o que eu quiser... e de toda e qualquer liberdade, que é paradoxal. tenho uma voz a ser moldada, e vejo outros com a mesma idade e no entanto tão mais "aceitáveis" pelo público, com uma voz tão bonita e certa, como se cantar bonito e certo fosse simples, natural e até mesmo óbvio.
eu não sei mais o que eu quero, o que eu sou. sinto que os outros não acreditam em mim, por falta de crença da minha parte. sou sempre a esquisita na sombra.
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enailuj
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Marcadores: canto, conclusões deprimentes, joker, thomas bernhard
05/07/2009
"Cold late night so long ago
When I was not so strong you know
A pretty man came to me
Never seen eyes so blue"
é... "sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo".
I'm not so strong, you know.
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enailuj
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